Não é errando que se aprende

5 03 2010

 Muitos conceitos e ideias se proliferam como ditados e sabedorias populares, mas que não são educativos, e sim fruto de preconceitos e ignorância generalizada. Assistindo ao encontro Seminário Interno para Discussão da Catástrofe de Novembro/2008, com a intervenção de professores pesquisadores da FURB, eles apresentaram temas relacionados aos diversos aspectos da tragédia ocorrida na nossa região. O seminário teve  participação dos grupos de pesquisa da instituição e aberto à comunidade. Tivemos as análises meteorológica pelo professor Dirceu Luis Severo, dos aspectos hidrológicos do evento extremo pelo prof. Adilson Pinheiro, sobre a rede tecnocientífica de gestão dos desastres com o prof. Marcos Antonio Mattedi, a mídia e a calamidade, tratada pelo jornalista Aristeu José Formiga de Oliveira, a visão geo-ambiental da tragédia analisada pelo prof. Juarês Aumond, o (des)controle ambiental urbano na tragédia, com a professora Claudia Siebert, o papel da vegetação na minimização dos danos causados pelo desastre apresentada pela prof.a Lucia Sevegnani e a potencialidades dos aterros reforçados na recuperação de taludes em Blumenau, apresentado pelo prof.Lucio Flavio da Silveira Matos.

Todos demonstraram o que aconteceu em nossa região na ocasião do fenômeno natural, que foi o excesso de chuva (em dois dias choveu mais de 500ml, equivalente a média de cinco meses) e suas consequências, numa tragédia social, humana e material em que derivou. Praticamente unânime o parecer de todos os presentes que, a tragédia não é da natureza, mas da ação do homem: se chovesse a mesma quantidade no oceano ou na floresta Amazônica,  não aconteceria nenhuma tragédia.  Construções irregulares em locais de risco, desmatamento, reflorestamentos não planejados, agricultura e pecuária ocupando enormes áreas e muitas delas impróprias, como as bananeiras nos morros, escavações e aterros, entre tantos outros. E aí voltamos ao titulo deste artigo: quando erramos e não sabemos que estamos errando, não aprendemos nunca. Se corrigimos, temos a chance de aprender. Então o ditado correto seria: é corrigindo que se aprende. Mas se reconstruímos a estrada, a ponte e a casa no mesmo lugar da catástrofe, nas mesmas condições anteriores, aprendemos alguma coisa? Quantas coisas estão em jogo nas reconstruções de Blumenau e região, para que não se tomam  decisões certas, mesmo se drásticas, quando se sabe as causas de nossas enchentes e desmoronamentos? Pergunte a um que fuma se ele sabe o mal que o fumo lhe faz. Ele conhece mas não deixa de fumar, mesmo se sua vida é ameaçada. Se outra vida for ameaçada, ele se importa menos ainda. Assim as vitimas dos fenômenos naturais que resultaram as tragédias sociais: querem voltar ao lugar de risco. Temos aqueles que aprendem com os próprios erros, quando são vitimas, mas a maioria não aprende com os erros dos outros. Os pesquisadores estão aí para nos alertarem, mas poucos estão o escutando, principalmente quem deveria escutar: as autoridades.  E a história se repete, não a cada 25 anos. Alguém lembrou dos 22 mortos das enchentes de 1990?

 Djalma Patrício – professor – Blumenau-SC


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