Pais Problemas?!

23 03 2009

Pais Problemas?

Nestes dias o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) divulgou o resultado de uma pesquisa sobre o nível de educação no Brasil e mostrou que melhorou em relação aos outros paises da América Latina, mas esta ainda muito longe das nações desenvolvidas. Já a pesquisa sobre violência urbana coloca o Brasil em péssimo destaque: segundo o Observatório Latino-americano de Armas de Fogo, o nosso país, com apenas 3% da população mundial, concentra 11% das mortes com armas de fogo. As principais vitimas e, ao mesmo tempo, autores desta violência, são jovens entre 15 e 25 anos. Estes mesmos consomem mais drogas que todos os paises americanos, perdendo apenas para os EUA, conforme relatório da ONU. As instituições de ensino de todos os níveis também sofrem com este cenário de violencia, alem da redução de números de jovens nas escolas e a qualidade destes, entre outras conseqüências.
No final do século XX muitos estudiosos alertavam sobre o problema da confusão entre liberdade e libertinagem. Baudrillard, por exemplo, falava da crise de percepção das coisas, ou do excesso de relatividade, contrariando décadas anteriores, que se pregava a liberdade total: diziam aqueles que a criança deveria aprender com os próprios erros. Mas esse método transformou os erros em frustrações e violência.
Agora impor limites está sendo mais difícil, principalmente porque muitos pais e responsáveis pela educação não querem assumir este fardo. Temos instituições superiores que demitem professores que tenham mais de três reclamações de seus alunos; outras que cortam direitos adquiridos de seus docentes que não atingem 75% de satisfação dos alunos, inibindo qualquer rigor.
A contradição é marcante quando, numa pesquisa com egressos (alunos formados), a maioria destes reclama que seus professores não eram exigentes, como acontece no mercado de trabalho, enquanto os estudantes reclamam quando seus pais e docentes são mais rígidos, que reprovam seus atos irresponsáveis ou suas faltas (que os jovem interpretam como liberdade). Em salas de aula temos alunos que dormem, não porque a aula está monótona, mas porque eles passaram a madrugada na internet, inclusive crianças. E os pais lavam as mãos, liberando Barrabás.

Djalma Patricio
professor universitario