Tempos velozes

9 06 2008

Nós professores universitários fomos informados que, a partir de final de abril, não teremos mais disponível as TVs com vídeos e os Retro projetores de transparências. Estão sendo instalados os projetores multimídias nas salas que ainda faltam e, para quem não tem laptop (ou note book), poderá solicitar um desktop no setor responsável. A informação foi dada quase na mesma época da polêmica dos biocombustíveis e a falta de produtos básicos da alimentação mundial, como o arroz e o trigo.  Assim temos a  evolução de um lado e carência do outro. O tempo caminha a `a velocidade constante para todos, o que pode mudar é a ilusão: para os jovens o tempo nunca é suficiente e para os idosos a monotonia pode dominar.  Enquanto estamos ainda nos adaptando aos CDs e DVDs, os mesmos já estão com seus dias contados, mesmo se ainda temos os LPs de vinil disponíveis em lojas de Sebo. A TV digital e o radio estão levemente atrasados em relação a fotografia, onde quase ninguém mais fala dos filmes fotográficos e dos slides (desconhecidos para os adolescente). Mas não podemos ir contra essas mudanças. O cineasta italiano Antonioni, in memoriam, dizia que seus filmes dava ênfase ao conteúdo artístico, deixando a técnica aos expert no assunto. Mesmo numa época onde o cinema digital ainda não se falava, ele já o experimentava. O setor público é mais lento que o privado também no que se refere a disparidade entre evolução de um lado e carência do outro: enquanto as montadoras batem recorde de produção de carros cada vez mais modernos, nossas estradas ficam cada vez mais problemáticas. Quando duplicam uma rodovia, ali já trafegam quantidade de veículos superior ao calculado, mantendo os engarrafamentos nas principais épocas e horários. O mesmo nos outros setores: a justiça tão lenta que muitos não chegam a ver o desfecho dos processos.  O executivo anunciou que abrirá licitação para o trem bala entre Campinas, São Paulo e Rio, quando a crise aérea se arrasta a anos e o transporte terrestre causa mais mortes que todas as guerras e doenças existentes. Mas não pensamos que isso acontece só no Brasil. Essa disparidade faz parte da realidade de todos os paises (lembra da violência da periferia de Paris?). Não existe uma solução ideal para um problema complexo, existem soluções locais, pontuais. Devemos estar atento a essas mudanças e nos adaptar a elas, conformando-nos com os prejuízos causados pela evolução tecnológica, mudando nossos hábitos, inclusive alimentares, mas sem esquecer o mais importante: o relacionamento humano deve ser o melhor possível. E isso muitos esquecem, levados pela rotina e pela perda de referencias reais e não virtuais ou midiáticas. De repente podemos encontrar alguma criança jogada da janela do edifício onde moramos e ninguém sabe quem foi ou não assume nem sob pressão.

Djalma Patrício

Professor universitario

Publicado JSC – Abril2008

 


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