Consumo consciente
O dia mundial do Meio Ambiente mostra o interesse pela consciência ecológica. Mas fala-se muito em reciclar e reutilizar, menos em deixar de comprar, que é o primeiro item. A sociedade consumista impede que se insista neste assunto, pois a produção de riqueza beneficia muita gente, não só quem vende. Certos itens deveríamos tirar totalmente da nossa lista de compras para viver melhor. Já ouvi muita gente falar com desprezo quando numa mesa não tem um refrigerante (e acrescentam que “agua é coisa de pobre”). Refrigerante para que? Não mata sede, não mata a fome, não acrescenta nutrientes… Faz mais mal que bem: Colesterol, açúcar, gás, corantes,… E ainda tem a garrafa PET para jogar no lixo… Nós sabemos porque não se faz uma campanha aberta contra o péssimo habito brasileiro de tomar refrigerantes… Claro, tomar bebidas alcoólicas seria pior, porque o ser humano não se impõe limites. Na bíblia está escrito “não se embriagueis”. Por isso algumas igrejas proíbem veemente o consumo de bebidas alcoólicas. Porque o homem (mulher incluída) não sabe limitar seu consumo. Meio copo é suficiente para um refeição. Qual a diferença entre o veneno e o remédio? Resposta: a dose. Vale pro alimento e as bebidas. Outro exemplo, as sacolas dos supermercados, que são cobradas nos países europeus. É uma lei, reduzindo assim a quantidade destas no ambiente. Os supermercadistas no Brasil sabem que, se apenas um cobrar, o cliente deixa-o e vai para o concorrente. Sendo grátis, estimula até a compra, não se importando com o ambiente. Quando você pega fruta e verdura, você acaba usando duas ou mais sacolas para o mesmo produto. Mutas vezes o investimento nas embalagens são maiores que no próprio produto. E o povo não é orientado para não se deixar cair em tentação… do consumo. Precisamos desenvolver uma campanha para o consumo consciente. Infelizmente o custo pode ser até de muitos desempregos, como aconteceu com as fábricas de cimento amianto em muitos países, que foram obrigadas a fechar. Não vamos ser demagogo, mas também não vamos ser conformistas. Um consumo consciente não se trata de adquirir produtos sem agrotóxicos ou ecologicamente corretos. Trata-se, antes de mais nada, em não comprar, ou não consumir, se não é necessário e se não é saudável.
Djalma Patrício
professor FURB
* Publicado no Jornal de Santa Catarina em junho 2007